Capítulo 11
Eu simplesmente estava estática. Eu não conseguia me levantar, não conseguia falar, nem piscar e muito menos respirar.
- Luinha! – Disse Melzinha na minha frente – Luinha, fala comigo, por favor! Você tá pálida! – Continuou, agora com um tom um pouco histérico na voz. Mel me sacudia. – Luinha, é sério, se você não falar comigo eu vou chamar os meninos pra te levarem pro hospital! – Quase gritou.
- Não! – Falei ainda mais alto que ela. – Você não pode chamar ninguém, você não pode contar pra ninguém! – Eu disse desesperada.
- Eu não vou contar, amiga. Mas um dia eles vão saber. – Disse Mel.
- Eu sei, mas não agora, por favor! – Fiz um apelo desesperado pra minha melhor amiga.
- Eu não vou contar nada pra ninguém, Luinha! Isso é tarefa sua. Você tem que contar. E você vai contar quando você quiser, só não pode demorar muito. – Falou me abraçou mais forte e eu abracei de volta.
- Calma, amiga. – Melzinha disse. – Tudo vai se acertar, tudo vai ficar bem. – Continuou falando, passando a mão na minha cabeça enquanto eu, ainda, chorava.
- Não, Mel, não vai ficar bem, nada vai ficar bem depois disso. Já não tava tão bom, agora tá pior ainda! O que eu vou fazer da minha vida com um... com um... – Falei entre soluços, mas não conseguindo completar a frase.
- Filho? – Completou Melzinha. – Você não pode ter medo de falar que está grávida, que vai ter um filho. E nem ter medo disso. Você é forte, você vai conseguir passar por isso, você não tem mais 17 anos pra poder ficar morrendo, como se seus pais fossem te matar! Você tem a mim, acima de tudo, eu sempre estarei aqui pra te ajudar! E sei que as meninas também vão te ajudar, e até mesmo os meninos. Aposto que depois que o susto passar, eles vão ficar super felizes, você sabe disso bem. – Disse ela, me confortando.
- Mas o problema todo não é esse, Mel, além de medo, eu não tô preparada pra ter um... filho. – Falei, finalmente. – E eu sei que vocês sempre estarão ao meu lado, mas e o Arthur? Ele não vai olhar na minha cara nunca mais! Como eu pude deixar isso acontecer, meu Deus? Como? – Falei, inconformada e ainda chorando muito.
- O Arthur teve metade da culpa disso, Lua. Não se culpe sozinha. Se ele não olhar mais na sua cara por causa disso, ele é um grande babaca. Ele pode agir estupidamente às vezes, mas ele não é babaca. Apesar de tudo, ele te ama, e ele não vai deixar você sozinha nessa! – Disse minha melhor amiga. Apesar da revolta que eu estava sentindo, eu não podia deixar de concordar com ela, mas ainda assim ele ia ficar com raiva. Eu conheço o Arthur muito bem, contar pra ele que eu estava grávida seria muito complicado. Se fosse de outro homem, era como se eu estivesse contando pro meu pai que sua filha de 17 anos estava grávida. Mas contar que era dele... Eu não sei da reação dele, mas eu tenho certeza que não será muito boa. Ouvi batidas na porta e olhei desesperada pra Mel, ela me sussurrou um “calma” e levantou-se, foi em direção a porta e enquanto ela a abria, eu limpava minhas lágrimas.
- Oi Sop! - Melzinha a cumprimentou, abrindo um pequeno pedaço da porta.
- Oi, amiga. Por que vocês ainda estão aqui em cima? O que de tão importante vocês estão fazendo? - Eu sabia que a Sop iria atrás da gente pra saber o que estávamos fazendo e tínhamos que inventar uma desculpa muito boa para ela não desconfiar de nada.
- Hm, a gente não pode falar... - Melzinha disse, coçando a cabeça. Eu sabia que quando ela fazia isso era quando estava nervosa. Minhas lágrimas ainda insistiam em descer, mas eu estava lutando bravamente contra elas.
- Por que não? -
- Porque... É uma coisa pra você e pra Amandinha, então não podemos contar nada agora! E pare de insistir, vou continuar aqui com a Luinha arrumando as coisas e não volte aqui! Não quero estragar a surpresa.
- É sério? Aw, como vocês são lindas! Não posso contar pra Amandinha, posso? -
- Não. -
- Tá bem! Vou descer então, trabalhem direitinho. - Disse Sop de um jeito engraçado, fazendo Melzinha rir baixo. Mas nenhum sorriso saía no meu rosto. Melzinha fechou a porta e trancou logo depois que Sop desceu de novo e sentou ao meu lado.
- Amiga, não vai adiantar nada chorar agora. A única coisa que você tem que fazer é enfrentar tudo isso. E você não está sozinha, viu? Nunca estará. Eu sempre estarei ao seu lado. - Ouvi Melzinha tentando me consolar, mas nada fazia sentido naquele momento. Deitei-me em seu colo e deixei as lágrimas caírem, eu não tinha forças mais para segurá-las, Melzinha fazia carinho em minha cabeça enquanto eu chorava e então eu adormeci.
Acordei e já era de noite, olhei em volta do meu quarto e não tinha ninguém. Eu estava deitada direito em minha cama e com o edredom por cima de mim, isso só podia ser coisa da Mel. Levantei minha cabeça devagar e a senti muito pesada, olhei para o meu criado mudo e vi um bilhete, peguei e custei a enxergar o que estava escrito, pois meus olhos estavam meio embaçados.
Oi, meu amor!
Fiquei feliz de você ter dormido, pelo menos assim parou de chorar. Você sabe o quanto corta meu coração te ver assim, não sabe? Mas não se preocupe, eu sempre estarei aqui por você e tudo vai se encaixar. Falei com o pessoal que você estava com muita dor de cabeça e foi dormir, se te perguntarem, confirme minha história. Tranquei a porta do seu quarto e enfiei a chave por de baixo da porta. Fique bem, se precisar de mim, me ligue. Eu te amo, bf.
Xx, Melzinha.
Depois de ler o bilhete, me senti feliz por ter amigos tão bons comigo, sorri ao ter esse pensamento. Levantei-me e abri as cortinas, já era de noite, o que me assustou um pouco, já que quando eu dormi estava um pouquinho depois da hora do almoço. Tomei um banho e, quando eu estava me enxugando, fiquei olhando para minha barriga no espelho. Como poderia ter alguém ali dentro? Alguém tão... indefeso. Bom, ainda não era... alguém, mas já era alguma coisa. Eu sentia diversas emoções diferentes enquanto eu pensava nisso, mas eu não sabia decifrá-las, eu nunca as tinha sentido antes. Alisei minha barriga e respirei fundo. A única coisa a se fazer agora é encarar a verdade, encarar de peito aberto, mesmo se for sozinha. Tentei parar de pensar nesse assunto e, obviamente, falhei, mas ignorei meus pensamentos e terminei de me enxugar, vesti minha roupa e ouvi meu estômago roncar de fome, peguei a chave do meu quarto que estava perto da porta, onde Mel tinha falado, e saí do quarto, indo em direção à cozinha. Desci as escadas e não tinha mais ninguém em casa, nem mesmo o Arthur, mas eu acho que eu também não queria vê-lo agora. Cheguei à cozinha e resolvi fazer um sanduíche pra mim, peguei tudo o que tinha na geladeira que dava pra colocar dentro de um sanduíche e fiz, coloquei um pouco de suco no copo e ouvi o barulho da porta de entrada. Ótimo, tudo o que eu precisava agora. Peguei meu sanduíche e meu copo e já ia subir o mais rápido que eu pudesse, mas sem dar na cara que eu estava fugindo. Quando cheguei à porta da cozinha, Arthur estava parado perto da porta com umas cartas na mão, olhando-as, quando percebeu a minha presença, levantou o olhar pra mim, olhei de volta e dei um sorrisinho sem graça, continuando a andar.
- Luinha, ‘peraí. – Ele me chamou e eu quase saí correndo.
- Sim? –
- Melzinha me disse que você tava passando mal, já tá melhor? – Perguntou, voltando a olhar as cartas.
- Uhum, tô sim. – Comecei a subir as escadas depois de responder.
- Ah, ela disse que marcou médico pra você amanhã, às 14h. Que vai te buscar às 13h30. – Senti meus pés congelarem quando eu ouvi Arthur falar.
- Ah, é? E... Ela te disse qual médico? –
- Não, só falou que marcou o médico e que vai te buscar. – Senti um alívio ao ouvir isso.
- Ah sim, obrigada. – Continuei subindo.
- Luinha. – Virei-me ao ouvir Arthur me chamar
- Oi? –
- Se precisar de alguma coisa, qualquer coisa, você fala comigo, tá? – Ele olhou pra mim com um olhar preocupado e eu senti meu melhor amigo de volta.
- Tá bom, Arthur. Obrigada – Respondi, sincera. Arthur sorriu pra mim e eu tentei sorrir de volta, subi as escadas e fui pro meu quarto, liguei a televisão em qualquer canal e fiquei sentada na minha cama enquanto comia meu sanduíche.
- Toc toc – Encontrei um Arthur sorridente na minha porta. Como sempre, não consegui controlar o meu sorriso.
- Pode entrar – Eu disse e vi Arthur vindo em minha direção, sentando do meu lado, na cama.
- Tô com saudade da minha melhor amiga, sabia? –
- Ah, é? Pois não parece tanto. – Disse, comendo meu último pedaço de sanduíche.
- Por que não parece tanto? –
- Porque você não quer saber mais de mim –
- Isso é mentira, Lua. Você que do nada virou a cara pra mim – Disse ele, já deitando na minha cama. “Do nada”, do nada, né?
- Eu não, você que ficou todo estranho comigo desde o dia do parque – Depois de dizer, vi que ele coçou a cabeça em forma de preocupação.
- É... Então... É que... – Balbuciou ele, sem graça.
- É que...? Para de enrolar, Arthur – Falei, achando graça.
- Eu tava com medo, Luinha. Depois do que aconteceu entre a gente, eu tava com muito medo de te perder como melhor amiga. – Confessou.
- Você não vai me perder como melhor amiga, Arthur.
- Você promete?
- Prometo – Prometi, porque era verdade, mas eu não sei se ele iria querer que eu continuasse sendo a melhor amiga dele depois que eu contasse a verdade pra ele.
- Então tá bom – Ele sorriu pra mim e chegou mais perto, suspirei ao sentir o perfume dele, foi involuntário e ele nem reparou que foi por isso. Arthur puxou-me para mais perto dele e me abraçou, aconcheguei-me em seus braços e ali eu me esqueci de todos os problemas que nos cercavam.
Volta....................... :(
ResponderExcluirVoltaaaaaaa por favoooooor!!!!! Amo a web!!!
ResponderExcluirpelo amor de DEUS volta essa o web eu to morta de coriosidade pra saber o que vai acontecer no capitulo 12 posta mias eu li ate o 11 eu amei amei amei
ResponderExcluirvolta a postar essa web ela é boa demais preciso saber como vai terminar voooooooooooooolta por favor por favor por favor
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